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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Resumo do Filme Amor sem Escalas.

1.      FICHA TÉCNICA

Filme
Amor sem Escalas (Up in the Air)
Elenco
George Clooney
Vera Farmiga
Melanie Lynskey
Anna Kendrick
Danny McBride
Direção
Jason Reitman
Roteiro
Jason Reitman
Sheldon Turner
Lançamento
2009 (EUA)
Cartaz de Divulgação



2.      RESENHA
O protagonista do filme é Ryan Bingham (George Clooney), um homem de meia idade que possui uma profissão bem peculiar: Conselheiro de Transições de Carreira. O trabalho dele consiste em viver viajando pelos Estados Unidos, demitindo funcionários de empresas em crise financeira. Apesar da profissão de Ryan poder ser considerada desagradável pela maioria das pessoas, ele gosta muito do que faz, principalmente devido ao estilo de vida desapegado e sem comprometimento que esse trabalho lhe proporciona.
Depois de anos nessa profissão, Ryan já tem memorizado o roteiro de como demitir as pessoas e de como lidar em cada situação. Além de dispensar as pessoas, o papel de Ryan é mostrá-las que o momento apesar de difícil, deve ser encarado como uma oportunidade de mudança. Porém, como ele é uma pessoa fria e metódica, não se sensibiliza com a reação dos funcionários demitidos, limitando-se em executar a tarefa lhe designada.
Ryan acha a vida dele perfeita e o normal para ele é estar viajando a trabalho. A permanência dele em aeroportos e hotéis traz satisfação a ponto dele se orgulhar em ser capaz de saber detalhadamente como se posicionar em situações inusitadas e prever potenciais problemas durante as viagens.
Apesar de ter uma casa, em que passa somente alguns dias por ano, esta não pode ser considerado um lar. Também fica evidente o desconforto de Ryan quando está em casa, preferindo, sem dúvidas, estar constantemente viajando a trabalho.
A vida social de Ryan é comprometida, pois devido às viagens ele não cria vínculos com as pessoas, nem mesmo com os familiares (possui duas irmãs que mal tem contato). Os relacionamentos amorosos dele são esporádicos e superficiais, entretanto suficientes para ele.
No filme fica claro que a vida de Ryan é solitária e vazia, mas que ele se sente muito satisfeito com ela, não pensando na possibilidade de modificar o seu estilo de vida.  É prejudicial para o ser humano viver solitário, sem estabelecer relações sociais, uma vez que o homem sem vida própria está vulnerável a se escravizar por aquilo que julga ser o melhor pra si mesmo. No caso de Ryan, o trabalho o escravizou sem que ele percebesse isso.
Ryan é membro de elite de todos os programas de fidelidade das companhias aéreas e o maior objetivo de vida dele é atingir dez milhões de milhas voadas. Analisando o grande objetivo da vida dele dá para perceber claramente como os valores dele são fúteis.
Ryan faz parte de vários grupos sociais, o que é normal, principalmente na sociedade contemporânea em que ele vive. Os grupos sociais que ele participa mais focados no filme são os seguintes: Família, Programas de Milhas e Conselheiro de Transições de Carreira.
É visível que ele tem consciência que faz parte desses grupos, mas interage com os demais participantes de forma fria, distante e impessoal. Fica evidente que apesar dele realizar ações conjuntas com os demais participantes dos grupos sociais que ele pertence, o egocentrismo e individualismo dele fazem com que se sinta desconfortável em algumas situações. No casamento da irmã, por exemplo, é notório que apesar dele ser membro da família, fica pouco a vontade em atuar como um participante atuante deste grupo.
No filme percebe-se que Ryan aprecia a cultura organizacional da empresa que trabalha, pois se sente parte integrante, completamente à vontade e satisfeito quando está no escritório da organização (poucos momentos entre uma viagem e outra). Além disso, possui um bom relacionamento com o superior imediato e com os colegas, sempre sorridente e animado, confortável como sendo parte integrante desse. No entanto, não cria vínculos mais próximos nem relações sociais com os demais funcionários do trabalho. Os direcionamentos das atividades dele são realizados pelo seu superior imediato, que demonstra ter total confiança na capacidade profissional de Ryan.
O cenário de crise financeira pelo qual os Estados Unidos passavam em 2009, ano de lançamento do filme, faz com que o processo demissional e o drama de cada profissional dispensado sejam abordados de forma atual (na época). Os depoimentos das pessoas no momento da demissão são os mais variados, apresentando claramente a diversidade do comportamento humano diante da mesma situação: a demissão.
Ryan está muito satisfeito com a vida que leva até que o chefe dele contrata Nathalie Keener (Anna Kendrick), uma jovem que desenvolveu um sistema de videoconferência que possibilita que o processo demissional seja realizado à distância. Com isso, os custos com viagens serão reduzidos, não havendo mais a necessidade do Conselheiro de Transições de Carreira se deslocar para efetuar a dispensa.
Ryan se sente amedrontado com a implantação do sistema de videoconferência. O medo é devido ao fato dele não mais viajar para demitir as pessoas, o que significa abandonar o estilo de vida desapegado e se fixar no escritório da empresa e na residência dele. Além disso, a tendência é haver a redução de Conselheiros de Transições de Carreira, já que não mais haverá o deslocamento. 
A mudança e a possibilidade de ser demitido o assusta. Todo processo de mudança nas organizações por mais bem feito que seja tende a deixar os funcionários tensos. As pessoas necessitam de um tempo de adaptação, pois toda mudança envolve algum tipo de perda, sendo comum enxergar mudanças como sendo um perigo ou ameaça. Ryan passa a ter sentimentos similares aos que os demitidos por ele sentiam e que ele não se sensibilizava.
A partir de então, ele elabora a estratégia de convencer Nathalie do erro que é a implementação do sistema e da necessidade da demissão ser feita de forma presencial. Não que ele se importe com o sentimento dos profissionais dispensados, mas sim para eliminar o medo que havia se firmado nele. Vale salientar que é comum haver resistência quando acontece algum tipo de mudança na organização.
 O objetivo final a ser realizado pela empresa de Ryan continuará sendo alcançado com a implantação do sistema de videoconferência: realizar a demissão. Mas, o ato de demitir com certeza se tornará ainda mais frio e impessoal, uma vez que nem mesmo a presença física do Conselheiro de Transições de Carreira haverá.
É questionável o tipo de líder que as organizações que contratam os serviços de Conselheiros de Transições de Carreira possui. Que liderança é essa que se esconde por trás de um Conselheiro para demitir os seus liderados? É importante que a atuação do líder contemple desde o processo seletivo até a dispensa do funcionário.
Na admissão é relevante que o líder determine as características que deseja para o integrante da equipe dele (no filme não mostra como é realizado pelas organizações o processo admissional) e na demissão espera-se que o líder converse com o funcionário para explicar o motivo da dispensa e ressaltar os aspectos positivos e negativos da contribuição dele no grupo.
Para o liderado, a opinião do líder é muito importante, principalmente se for um líder democrático ou liberal. Depois dessa conversa franca e respeitosa, a empresa poderia optar por conduzir o ex-funcionário aos cuidados do Conselheiro de Transições de Carreira, com o objetivo de um profissional capacitado auxiliar o trabalhador nesse momento delicado, ajudando-o a visualizar novas possibilidades de atuação.
Ryan e Nathalie passam a viajar juntos para que ele a mostre a realidade do trabalho, convencendo-a de como é importante que o processo de dispensa seja presencial. Porém, Nathalie se sensibiliza em diversas demissões em que participa, principalmente na de uma senhora negra que diz que a única alternativa para ela é pular da ponte, e realmente o faz. Contudo, Ryan tenta ajudar Nathalie com ensinamentos que traduzem frieza e falta de humanidade, mas ela, apesar de se esforçar, não consegue permanecer imparcial ao sofrimento dos dispensados.
Em uma das viagens, Ryan conhece Alex (Vera Farmiga), que possui um estilo de vida bem parecido com o dele: passa mais tempo viajando a trabalho do que em casa. Os dois se envolvem em um relacionamento amoroso, em que somente se encontram entre vôos, conexões e escalas. Isto é o bastante para ambos, até que Ryan percebe que a vida é mais do que o acúmulo de milhas. Dessa forma, ele começa a se questionar a respeito do seu estilo de vida, as relações humanas frágeis ou inexistentes que possui, o que ele representa na vida dos outros e o que os outros representam na vida dele.
Nesse contexto, Ryan decide mudar a sua vida e o primeiro passo para ele é tentar estabelecer um vínculo amoroso com Alex. Para tal, parte para um encontro surpresa e se dirige a casa dela. No entanto, fica bastante decepcionado quando percebe ser insignificante na vida dela, já que ele descobre que ela possui um lar, família (marido e filhos), ama e é amada pelas pessoas.
A frustração é tamanha que Ryan finalmente percebe como tem uma vida solitária, fria e vazia. Logo após essas descobertas, ele consegue alcançar o grande objetivo da sua vida até então: acumular dez milhões de milhas voadas. O que seria uma grande realização pessoal, tornou-se fugaz, insignificante, pois os valores dele haviam se modificado.
No final do filme são apresentados novos depoimentos dos demitidos, após algum tempo após a dispensa. Eles demonstram que quase todos conseguiram enxergar novos valores após a demissão, passaram por momentos iniciais muito difíceis, mas conseguiram se reerguer e mudar a percepção do que realmente é importante na vida.
Para Ryan o momento de mudar chegou, ele finalmente conseguiu perceber como seus valores estavam invertidos e a valorizar as pessoas, os sentimentos, o lar, enfim a importância de estabelecer relações humanas. Isto já é um grande começo e promete uma importante mudança na vida dele. Nunca é tarde para refletir e promover mudanças na vida, o grande desafio é seguir em frente e recuperar o tempo perdido.

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